Gosto de, sentadinho à minha secretária, olhar as gaivotas a voejarem em contraluz de encontro ao ora alaranjado, ora avermelhado do poente, que todos os dias tenho a soerguer-se daquele mar lindo, que sei estar além do recorte das casas da frente mar.
O silêncio é total, mas a atenção e a maravilha não lhe ficam atrás.
E elas planam, planam e planam neste crepúsculo gradativo que se repete dia após dia. Não quereria dizer uma boutade, mas diria que é invisível o som do seu planar... Tão invisível, quanto gracioso. Tão invisível, quanto belo! Quase sustenho a respiração e fico aqui sentado até que a negritude daquela ave se mescla numa unidade plena com o negro da noite que se aproxima (e que sempre sempre se aproxima)... E assim vou estando em paz, enquanto a maravilha se esvai!
Uma paz relativa, mas ainda assim... paz!